Elefante asiático de 53 anos, Sandro passou uma década no circo e está há mais de 40 anos confinado no Zoológico de Sorocaba.
Sandro está confinado em um espaço abaixo das normas, com riscos graves à saúde e sem contato com outros elefantes desde 2020.
A Justiça determinou sua transferência para o Santuário de Elefantes Brasil — onde terá 39.300 m² de habitat, cuidados veterinários especializados 24h e a chance de conviver com sua espécie. O Santuário já se comprometeu a arcar com todos os custos da transferência, sem ônus público. Manter Sandro em isolamento e sofrimento é negligência; transferi-lo é garantir seus anos de vida com dignidade, estímulo e companhia. Sandro não pode esperar mais: Santuário Já!
Quem é Sandro?
História de vida
Segundo registros, Sandro foi capturado na Ásia em 1971, ainda bebê, e levado para o zoológico de Cauberg (Holanda) para ser treinado por um famoso treinador de elefantes.
No mesmo ano, esse treinador foi contratado pelo circo Orlando Orfei e veio para o Brasil trazendo 3 elefantes. Sandro era um deles. Como tantos outros, Sandro teve seu espírito selvagem “quebrado” — “the chush” é como é conhecido o treinamento cruel ao qual elefantes são submetidos para que possam servir na indústria do entretenimento.
Em 1982, após 10 anos de exploração em circos itinerantes, Sandro foi negociado e enviado para o Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros. Diferentemente do que muitos acreditam, Sandro não foi resgatado pelo zoológico, mas sim trocado com o circo por outros animais que nasciam no zoo. Sandro sempre foi tratado como objeto a ser explorado para o entretenimento.
Sandro viveu sozinho até 1995, quando a elefanta asiática Haisa chegou do zoológico Beto Carrero para lhe fazer companhia. Em 2020, Haisa faleceu em decorrência de artrose, doença degenerativa incurável e intimamente ligada ao confinamento.
Zoológicos tentam justificar sua existência alegando um suposto papel na conservação e reprodução de espécies, mas a realidade mostra que esse argumento não para em pé: Sandro e Haisa conviveram entre 1995 e 2020 e não tiveram filhos. E o motivo é simples: a reprodução é comprometida pela própria natureza estressante do ambiente, ou seja, pelo espaço inadequado e pela exposição de animais ao público.
A partir da morte de Haisa, além de viver numa prisão (que crime ele cometeu?), Sandro voltou a ficar em isolamento, longe de outros animais de sua espécie.
Desde então, transcorre na Justiça a luta pela sua libertação, que só poderá ocorrer com a transferência de Sandro para o Santuário de Elefantes Brasil (SEB).
jornal Cruzeiro do Sul de 19/08/1982
ZOO
O atual recinto do Sandro é completamente ultrapassado e incompatível para elefantes de qualquer idade, principalmente para elefantes mais velhos como o Sandro. O atual recinto não respeita as normas do IBAMA¹, nem as orientações dos manuais internacionais de zoos² e santuários³, em termos de dimensões (tipo de edificação, condições do ambiente, altura da porta e interna, entre outras inadequações. É amplamente reconhecido que recintos pequenos, sem higiene, inertes, sem possibilidade de socialização, com fosso e com piso duro (cimento ou terra compactada) são extremamente nocivos aos elefantes, como foi para Haisa.
(¹IN 07/2015; ²AZA, BIAZA, EAZA, GFAS)

SEB
SANTUÁRIO DE ELEFANTES BRASIL
O SEB oferece recintos amplos, projetados para a segurança, bem-estar e recuperação dos animais, que em sua maioria foram vítimas de cativeiro, circo ou outras explorações. Os recintos são adaptados às necessidades específicas de cada elefante, com áreas separadas para garantir a segurança de animais mais fragilizados, e com o objetivo de proporcionar um espaço onde possam expressar comportamentos naturais, como interagir na natureza e outros elefantes, em um ambiente seguro e livre de ameaças.

ZOO
Menor que 1.500 m², sem árvores, lamaçais, relevo variado, vegetação natural, troncos. 1 tanque menor que 50 m² (IBAMA diz que precisa ser superior a 100 m²).
De acordo com o perito e Médico Veterinário Alex Fonseca de Andrade, (laudo dentro do processo supracitado do Sandro) “o ambiente que Sandro permanece confinado por mais de 14 horas por dia em um espaço incompatível com seu porte, pode resultar em consequências adversas, tais como: alterações musculoesqueléticas; problemas nos pés; distúrbios digestivos; impactos na saúde cardiovascular”. É um pequeno cômodo (contenção) fechado, úmido, mofado, sem escoamento para dejetos em piso duro. Contenção de 3,5m de altura (IBAMA diz que precisa ter pelo menos 6m). Sandro possui quase 3m de altura. Zoo não cumpre as normativas mínimas do IBAMA, conforme IN 07/2015. Veja: Relatório de Vistoria e Parecer Técnico.

SEB
SANTUÁRIO DE ELEFANTES BRASIL
Sandro terá, inicialmente, 18.500 m² e em poucos meses, poderá acessar os 39.300m² (Área Machos Asiáticos), já construídos, de floresta.
Sandro viverá em recinto vizinho ao das elefantas asiáticas (Área Fêmeas Asiáticas – 280.000 m²), com as quais ele poderá ter contato por meio das cercas de proteção. As cercas dos recintos permitirão que Sandro e as fêmeas asiáticas possam ter contato físico protegido, permitindo que se comuniquem, se toquem e interajam da forma que quiserem. O contato pela cerca permitirá uma aproximação segura, evitando qualquer possibilidade de reprodução.

ZOO
Não se sabe ao certo quantos e quais exames foram realizados no Sandro, devido à falta de um local adequado, protegido e seguro para o treinamento de elefantes, que permita o manuseio para exames físicos, cuidados veterinários, manutenção da pele, exercícios direcionados e coleta de sangue.
A ausência de exames regulares pode comprometer a vida de elefantes em cativeiro. A falta de monitoramento veterinário pode levar ao desenvolvimento de doenças sem detecção precoce, além de dificultar a identificação de problemas comportamentais e nutricionais que podem afetar a saúde e bem-estar desses animais.

SEB
SANTUÁRIO DE ELEFANTES BRASIL
O SEB possui Centros de Tratamento Veterinário exclusivos para elefantes em cada setor, para acomodar procedimentos de cuidados veterinários.
Essas estruturas são simples na sua concepção e de baixo custo, mas oferecem tudo aquilo que necessário: paredes de tubos de aço para treinamento com contato protegido, em baias restrita e baias abertas que oferecem o seu espaço interior para o uso separado ou compartilhado.
Os elefantes no SEB passam por diagnósticos regulares, usando máquinas e equipamentos internos, incluindo equipamentos de exames de sangue, imagens térmicas e nosso equipamento radiográfico interno para avaliar a saúde das patas.

ZOO
Problemas digestivos em elefantes, que podem estar acontecendo com Sandro, estão frequentemente ligados a dietas ricas em proteínas (como a alfafa que ele recebe – apropriada para elefantes africanos) e refeições concentradas, maiores e pouco frequentes. Quando isso acontece, resulta em desgaste inadequado dos dentes, sobrecarga renal e hepática e problemas gastrointestinais. O zoo não é capaze de fornecer alimento adequado para a espécie.

SEB
SANTUÁRIO DE ELEFANTES BRASIL
Cada elefante possui uma dieta única em sua alimentação. A quantidade, a frequência, o estado de saúde, a necessidade de comer algumas vezes ao dia, a quantidade oferecida, e quais alimentos cada uma tem mais aceitabilidade, depende de cada elefante. A alimentação também pode mudar dependendo da estação chuvosa ou estação de seca. Nos habitats é oferecido vegetação nativa, onde em época de chuva pode chegar até 80% da dieta consumida por dia.
A dieta pode ser composta por uma mistura de aveia, farelo de arroz e melaço; suplementos; medicamentos individuais, bolas e maçãs contendo medicamentos; frutas e vegetais.

ZOO

SEB
SANTUÁRIO DE ELEFANTES BRASIL
Após a chegada, cada elefante começará um reforço positivo, condicionamento de contato protegido e treinamento. O treinamento não só permitirá tratamentos médicos e gerenciamento, mas também ajudará os elefantes a construirem confiança e auxiliará na construção de relacionamentos entre cuidadores e elefantes. Os comportamentos treinados permitirão o tratamento, a coleta de amostras, o toque em todo o corpo, exames dentários e cuidados com as patas. Sem treinamento/condicionamento não existe tratamento correto e seguro.

linha do tempo sandro
Retrospectiva e situação atual
FAKE x FATO
Muita coisa tem sido dita sobre o Sandro, suas condições no zoológico, sua transferência e sobre o Santuário de Elefantes Brasil.
Mas é fundamental separar o que é FAKE do que é FATO!
Sandro foi resgatado de um circo pelo Zoológico de Sorocaba, aos 10 anos de idade.
Conforme reportagem do Jornal Cruzeiro do Sul, de 1982, Sandro foi ADQUIRIDO de um circo pelo Zoo. Em outras palavras, Sandro foi negociado: comprado ou trocado por outros animais. CONFIRA
Haisa, companheira de Sandro, faleceu por decorrência da idade, morte natural.
Haisa morreu em decorrência de pododermatite, doença causada, principalmente, por excesso de peso, substrato abrasivo e impróprio, falta de higiene e contato com fezes e urina. (Teixeira et al.,2021) relato de caso feito pela própria equipe do zoo. CONFIRA
O Santuário não possui equipe especializada em cuidados de elefantes.
O SEB possui uma equipe de 40 funcionários, 4 veterinários e 4 biólogos, além de suporte internacional, com os maiores especialista em elefantes, tanto na África quanto na Ásia. CONFIRA
4 elefantes já morreram no SEB por negligência!
O SEB possui Infraestrutura e manejo superior aos sugeridos em todos os manuais internacionais para gestão e cuidados de cativos de elefantes, além de disponibilizar tratadores 24h por dia, 7 dias por semana e residentes no local, assim como monitoramento por câmeras. O SEB possui equipamentos de ponta para os mais diversos problemas de saúde, principalmente por resgatar elefantes de zoológicos inadequados e que tiverem alimentação incorreta por décadas, ausência de especialistas em elefantes ou condicionamento para realização de exames ou tratamento preventivo em ambientes insalubres, como no caso da elefanta Haisa e do Sandro. Todos os elefantes que estão no SEB irão morrer no santuário, afinal é um santuário de elefantes que resgata animais em situação de precariedade. As consequências dessas negligências é uma vida carregada de problemas físicos e psicológicos. O SEB também oferece cuidados paliativos, para que os elefantes tenham uma boa morte, garantindo altos níveis de bem-estar para animais em fase final da vida. SAIBA MAIS
A elefanta Guida morreu por ter comido um espinho.
Elefantes, assim como as girafas, são naturalmente adaptados para comerem plantas com espinhos. Essas plantas fazem parte da dieta natural desses animais¹. Alguns zoológicos europeus e norte-americanos alimentam os elefantes em cativeiro com plantas espinhosas. Elefantes asiáticos comem entre 100 e 300 espécies de plantas na natureza, nos zoológicos normalmente é oferecido apenas capim e feno como alimento volumoso. A falta de conhecimento técnico científico implica em dizer absurdos. Profissionais desatualizados, que pararam no tempo podem cometer erros primários, como por exemplo dizer que um elefante pode morrer por comer espinhos ou que lugares comprovadamente insalubres e sem condições mínimas de manejo são bons lugares para elefantes.
(Shoshani e Eisenberg, 1982); (Sukumar 2006) ; (Inglês, Gillespie, et al. 2014; Yamamoto-Ebina et al. 2016; Ong et al. 2023). Veja: VÍDEO 1 | VÍDEO 2
Por ser idoso, Sandro não pode ser transportado.
O SEB já transportou 11 elefantes, a maioria idosos. A Equipe de especialista do SEB já transferiu mais de 40 elefantes em diversos países do mundo, com distâncias muito superior à de Sorocaba x Mato Grosso. As equipes dos zoológicos brasileiros possuem pouca ou nenhuma experiência em transporte de elefantes. Sandro viajará numa caixa de transporte de padrão internacional, inclusive usada por zoológicos europeus e norte-americanos. (BIAZA, 2010; AZA, 2012; bolechova et al.,2023), acompanhado de biólogos e veterinários por todo o trajeto, inclusive com câmeras dentro da caixa de transporte, com diversas paradas para alimentação e hidratação, sempre com escolta da PRF – Policia Rodoviária Federal. Análise de cortisol em transporte de elefantes: CONFIRA
Sandro será sedado e acorrentado durante a viagem.
Nenhum elefante é sedado ou acorrentado para ser transportado. Além de desnecessário, seria extremamente irresponsável e perigoso. A falta de repertório profissional e experiência, principalmente em manejo, transporte e bem-estar de elefantes, faz com que algumas pessoas formadas nas áreas de biologia e veterinária emitam opiniões sem base científica alguma, sem nunca apresentar um único artigo ou trabalho científico sobre suas opiniões.
Sandro será solto no cerrado brasileiro e ficará sem supervisão.
Sandro continuará em cativeiro, porém em condições similares a que teriam em vida livre, num ambiente natural e controlado, com cercas seguras, monitorado 24h por dia em uma área, inicialmente, quase 30x maior do que a área que vive hoje no zoo. Sua futura morada é ampla, rica em vegetação/alimentação natural, lagoa, relevo variado para fortalecer a musculatura e saúde das patas e, principalmente, terá autonomia sobre sua vida, sempre na presença de outros elefantes para que possa socializar e prosperar de forma saudável. CONFIRA
Sandro é acostumado com seus tratadores e não irá se acostumar com outras pessoas e ambiente.
Zoológicos mudam de tratadores com frequência. Além disso, um megaprojeto da Universidade da California analisou o bem-estar de 255 elefantes asiáticos e africanos nos EUA, mantidos em 68 instituições da AZA – Associação de Zoos e Aquários dos EUA. O resultado foi publicado em 2016 e o maior fator de risco encontrado para os elefantes foi o tempo que eram mantidos sozinhos ou em manadas muito pequenas, sem contar espaços pequenos e insalubres como no Zoo de Sorocaba. Especialista em zoológicos, Igor Morais, 2025: CONFIRA
Sandro é bem cuidado no zoológico há 40 anos.
Segundo a WAZA – Associação Mundial de Zoos e Aquários – Cuidado é oferecer água, comida e abrigo e Bem-estar é atender as necessidades socais, oferecer estimulação mental, ter opções e direito de escolha = autonomia. Sandro não vive, ele apenas sobrevive em condições mínimas. CONFIRA
Elefantes Machos vivem de forma solitária e viver com outros machos pode ser mortal.
Elefantes machos são animais gregários que interagem tanto com grupos de fêmeas quanto de machos (Veasey, 2006; Hartley et al., 2019; Readyhough et al.,2022). A afirmação de que machos vivem sozinhos e seria mortal, carece de referência e principalmente, de experiência.
Santuários não existem, o que existe são mantenedores.
Santuário é um nome fantasia que define determinado comportamento, ético, em relação a como os animais devem ser tratados, diferenciando-os de outros empreendimentos como por exemplo os “Bioparques”, nome fantasia de alguns zoológicos. Santuários podem ser mantenedores, criadores científicos ou de conservação, CRAS, CETAS entre outras categorias definidas pela Instrução Normativa IBAMA nº 07/2015 e a Resolução CONAMA nº 489/2018. Todos os santuários de animais silvestres são licenciados e fiscalizados por órgãos ambientais e todos os animais precisam ser autorizados previamente antes de irem para um santuário, que precisa comprovar capacidade financeira, técnica e infraestrutura para obter as devidas licenças, que precisam ser renovadas com frequência. O fato de não haver visitação em um santuário não significa que ele não seja seriamente fiscalizado.
O SEB é uma ONG “gringa” que só quer dinheiro para enriquecer.
O SEB é uma ONG brasileira, criada por brasileiros e no Brasil, com a participação de americanos, com décadas de experiencia em manejo de elefantes, com reconhecimento mundial, em caráter de cooperação técnica. Toda a arrecadação do SEB é proveniente de doações, principalmente dos EUA, que possui diversas políticas de incentivo fiscal para doações para instituições diversas. 100% dos recursos captados pelo SEB é fiscalizado por auditoria externa, para que haja comprovação de não desvio de finalidade e de recursos, garantindo anualmente reconhecimento por sua transparência e governança eficiente. CONFIRA
O atual recinto do Sandro, no Zoológico de Sorocaba, é adequado e seguro.
Dê acordo com o especialista em zoológicos e metre em zoologia, Igor Morais, o espaço do Sandro não possui complexidade para estímulos naturais; seu recinto é muito pequeno e cercado por um fosso. 29 elefantes já morreram no mundo por quedas em fossos e atualmente Sandro vive sozinho. Nada disso é recomendado por zoológicos de alto padrão, afirma Morais. A vida de Sandro é colocada em risco diariamente por seus tratadores ao estimularem diversas vezes por dia a chegar próximo a beirada do fosso para ser alimentado perto do público. CONFIRA
perguntas frequentes
veja as respostas para as perguntas mais frequentes em relação ao caso do Sandro, sua transferência e o trabalho do SEB
saúde & bem-estar
Qual o atual estado de saúde do elefante Sandro no zoológico de Sorocaba?
O zoológico não é capaz de atender às necessidades mais básicas da espécie, mesmo como uma suposta ampliação de recinto, seus corpos são feitos para comer pequenas quantidades ao longo do dia, pastando de 15 a 20 horas por dia. Problemas digestivos em elefantes, que podem ser o que está acontecendo com Sandro, estão frequentemente ligados a dietas ricas em proteínas (como a alfafa que ele recebe – apropriada para elefantes africanos, mas não para elefantes asiáticos) e refeições concentradas, maiores e pouco frequentes. Quando isso está ausente, resulta em desgaste inadequado dos dentes, sobrecarga renal e hepática e problemas gastrointestinais. Além de não serem capazes de fornecer alimento adequado para a espécie, eles também precisam de espaço para explorar e do estímulo mental proporcionado por um habitat diverso e vasto. Enquanto os indivíduos repetem o quão inteligentes e emocionalmente complexos os elefantes são, eles os mantêm em espaços minúsculos e estéreis e fingem que esses espaços podem atender a qualquer uma de suas necessidades. Os elefantes não são projetados física ou mentalmente para viver em espaços minúsculos que não ofereçam estímulos.
O zoológico realizou exames clínicos no animal nos últimos anos? Quais os resultados?
Não se sabe ao certo quantos e quais exames foram realizados no Sandro, devido à falta de um local adequado, protegido e seguro para o treinamento de elefantes, que permita o manuseio para exames físicos, cuidados veterinários, manutenção da pele, exercícios direcionados e coleta de sangue. Sandro vem sendo negligenciado há mais de 40 anos, conforme afirmado pela própria equipe do zoológico.
De acordo com o relatório técnico – O Caso Sandro, mais especificamente na fls. 500 do Processo nº 1010896-59.2022.8.26.0602, afirma-se que “Sandro é checado diariamente por seus tratadores, que regularmente passa por exames de sangue e urina, como forma de verificar alguma alteração que não seja visível externamente e que todas as informações obtidas são armazenadas para comparação temporal e com outras instituições, produzindo um banco de dados que permite um acompanhamento externo e qualificado”, no entanto na fls. 2013, do mesmo processo, a informação de que o Sandro passa por exames regulares é desmentida pela própria equipe técnica do zoológico, onde alegam que “A obtenção de amostras que exijam contato próximo com o animal como swabs, citologias, amostras de sangue e outras NÃO é possível devido à ausência de brete que permita a contenção do animal e a aproximação da equipe com segurança”
A ausência de brete no recinto do zoológico compromete o diagnóstico e tratamento de doenças?
A ausência de exames regulares pode comprometer a vida de elefantes em cativeiro. A falta de monitoramento veterinário pode levar ao desenvolvimento de doenças sem detecção precoce, além de dificultar a identificação de problemas comportamentais e nutricionais que
podem afetar a saúde e bem-estar desses animais. A falta de qualquer método seguro para condicionamento, por meio de reforço positivo, compromete a saúde do Sandro.
Existem outras formas de se condicionar um elefante de forma segura, que não obrigatoriamente por meio de um brete, como por exemplo uma parede de contato protegido. Sandro viveu por mais 40 anos sem nenhum método de condicionamento e, consequentemente, diagnóstico e exames adequados, configurando total negligência do município e do zoológico. Sem exames de rotina é impossível afirmar se Sandro possui ou não possui nenhum tipo de problema de saúde.
O atual recinto do Sandro no zoo de Sorocaba é compatível com as necessidades de um elefante de 4 toneladas e 53 anos?
As limitações de espaço podem ser particularmente problemáticas para os elefantes machos, que se distribuem mais amplamente na natureza do que os grupos familiares (Hartley, Wood & Yon, 2019).
O atual recinto do Sandro é incompatível para elefantes de qualquer idade e peso, principalmente para elefantes mais velhos como o Sandro.
O recinto não respeita nem as diminutas exigências mínimas da Instrução Normativa 07/2015 – IBAMA,, que não possui base científica, muito menos segue as orientações dos manuais internacionais para gestão de elefantes em cativeiro, como os da AZA, BIAZA, EAZA GFAS, inclusive já é amplamente reconhecido que recintos pequenos, inertes, sem possibilidade de socialização, autonomia básica, piso de concreto ou terra rígida são extremamente nocivos aos elefantes.
Alguns zoológicos merecem um pouco de crédito. Há alguns que estão tentando fazer a diferença, expandindo recintos e oferecendo uma dieta mais natural, mas os parâmetros limitantes e a falta de habitats consideráveis não podem ser ignorados. O resultado final das expansões multimilionárias traz poucos benefícios para os elefantes. Pouco importa se o espaço é de 1/2 hectare ou 1 hectare – ainda é lamentavelmente inadequado.
Atkinson e Lindsay (2022) sugerem que espaços mais amplos, com topografia variada, substratos naturais e vegetação natural para forrageamento, podem proporcionar melhor o nível de complexidade ambiental necessário para estimular comportamentos naturais e proporcionar escolhas, autonomia e diversidade de experiências. Uma conclusão semelhante foi alcançada por Brown e outros (2020), que notou melhor bem-estar dos elefantes em ambientes enriquecidos, menos restritos e mais estimulantes.
Vale ressaltar que o tamanho do recinto é considerado mais importante pelos cientistas do que pela equipe do zoológico (Gurusamy, Tribo e Phillips, 2023). Não reconhecer os avanços científicos sobre elefantes cativos é continuar negligenciando a vida desses animais e condená-los a uma vida miserável.
Quanto tempo Sandro fica confinado diariamente? Quais os parâmetros internacionais de bem-estar para um animal dessa espécie?
Segundo o próprio zoológico, no Processo nº 1010896-59.2022.8.26.0602, fls. 2136, Sandro passa entre 14h e 16h por dia confinado em um cambiamento de concreto. O local possui pouca ventilação, com substrato rígido e sem absorção de líquidos, escoamento, drenagem, com as patas expostas às próprias fezes e urina, em um ambiente úmido, com infiltrações, colocando sua saúde cada vez mais em risco.
De acordo com o perito e Médico Veterinário Alex Fonseca de Andrade, (laudo dentro do processo supracitado) “o ambiente que Sandro permanece confinado por mais de 14 horas em um espaço incompatível com seu porte, pode resultar em consequências adversas, tais como:
• Alterações musculoesqueléticas
• Problemas nos pés
• Distúrbios digestivos
• Impactos na saúde cardiovascular
E, segundo o médico veterinário do Zoo de Sorocaba, em artigo publicado em 2021, “Os problemas podais em elefantes mantidos em ambientes artificiais são comuns devido a diversos fatores, mas principalmente ao excesso de peso do animal, substrato abrasivo e inapropriado, falta de higiene e contato com fezes e urina entre outros fatores”, corroborando com o perito Alex Andrade, de que Sandro está sujeito a diversos problemas de saúde em decorrência do seu manejo e recinto, porém essa informações foram omitidas pela prefeitura.
Do ponto de vista médico, elefantes em cativeiro sofrem tanto de doenças gastrointestinais (por exemplo, impactação e cólica; Greene et al. 2019) quanto de distúrbios nutricionais/metabólicos devido à dieta em cativeiro e à falta de exercícios (Khadpekar et al. 2020), sendo a obesidade um problema sério (Brown et al. 2020). Problemas de pele (por exemplo, inflamação, lesões e úlceras de pressão) são comuns (Brown et al. 2020; Fowler 2006a), assim como distúrbios relacionados aos pés (por exemplo, hiperqueratose, unhas rachadas e abscessos; Fowler 2001).
A osteoartrite nas patas, agravada por estereotipias locomotoras e obesidade, ocorre prematuramente em elefantes em cativeiro e pode levar à eutanásia (Issa e Griffin 2012). Por fim, elefantes em cativeiro são particularmente suscetíveis a diversas doenças infecciosas (por exemplo,Mycobacterium tuberculosis,TB, o herpesvírus endoteliotrópico, EEHV), que são altamente contagiosos (Fuery et al. 2018; Mikota e Maslow 2011). A tuberculose é mortal em elefantes e o tratamento frequentemente não é bem-sucedido (Lyashchenko et al. 2006). O EEHV é prevalente em cativeiro elefantes asiáticos estressados e imunocomprometidos (Elephas maximus;Schaftenaar et al. 2010) e é atualmente a principal causa de morte de filhotes de elefantes em cativeiro (Perrin et al. 2021). Esses fatores parecem estar associados a problemas reprodutivos (Clubb e Mason 2002; Perrin et al. 2021) e à redução da expectativa de vida de elefante.
Há sinais de sofrimento psíquico em Sandro em razão do isolamento social?
Animais com cérebros grandes e capacidades cognitivas complexas, como elefantes e cetáceos, parecem particularmente propensos a um bem-estar precário em ambientes cativos, na medida em que não dispõem de um ambiente natural adequadamente estimulante. Globalmente, mais de 3.000 cetáceos e 17.000 elefantes são mantidos em cativeiro (Jackson et al. 2019; Riddle e Stemme 2011).
Como as necessidades básicas de elefantes não são atendidas em cativeiro, esses animais inteligentes sofrem de uma variedade de problemas de saúde física, comportamental e psicológica. Doenças gastrointestinais, distúrbios nutricionais/metabólicos e problemas de pele são apenas alguns exemplos. Depressão, hiperagressividade e estereotipias também são comuns — de fato, até 85% dos elefantes mantidos em zoológicos e 100% dos elefantes mantidos em circos apresentam comportamentos estereotipados (Greco et al. 2016; Mason e Veasey 2010; Schmid 1995).
Evidências atuais sugerem que o enriquecimento direcionado e ad hoc em zoológicos/aquários continua sendo insuficiente para a saúde neural geral de mamíferos como elefantes e cetáceos, enquanto eles permanecerem limitados pelas condições padrão de cativeiro. Além disso, o enriquecimento transitório e inconsistente pode gerar mais estresse e frustração para o animal do que a ausência total de enriquecimento (Latham e Mason, 2010).
Os elefantes têm necessidades físicas e sociais complexas que são difíceis de satisfazer, mesmo em ambientes profissionais instituições zoológicas credenciadas (Kagan et al. 2018), sofrem com altas taxas de patologia comportamental e física (Lahdenperä et al. 2018). Em termos de comportamento, uma anormalidade prevalente é o comportamento estereotipado (Mason e Rushen 2008), que consiste em movimentos aberrantes e repetitivos (por exemplo, balanço e balanço dos membros) induzidos pela frustração de impulsos naturais (Clegg et al. 2017). Elefantes em cativeiro também apresentam hiperagressividade (Harvey et al. 2018), em parte porque não há oportunidade para distanciamento físico durante estresse intragrupal elevado (Archie et al. 2006).
Embora a ciência do bem-estar animal em cativeiro esteja crescendo de forma constante, com maior atenção dada aos grandes mamíferos, como os elefantes (Whitham e Wielebnowski, 2013; Shepherdson e Carlstead, 2020), a pesquisa indica que alguns animais, incluindo elefantes, não se saem bem em cativeiro (Clubb & Mason, 2003; Morgan e Tromborg, 2007; Pedreiro, 2010; Fischer e Romero, 2018). Embora os termos “bem-estar” e “bem-estar” sejam por vezes usados indistintamente, alguns autores fazem uma distinção entre os dois (Fraser, 1992; Martelli e Krishnasamy, 2023).
O bem-estar animal refere-se ao estado interno do indivíduo, enquanto o bem-estar animal abrange sistemas de gestão usados para promover o bem-estar (Martelli e Krishnasamy, 2023). A preocupação não deve ser apenas com os efeitos dos sistemas de gestão em cativeiro (ou seja, bem-estar), mas também a saúde física, mental e emocional do dia a dia (ou seja, bem-estar) dos animais. Existem ambos os aspectos negativos (por exemplo, estereotipia, definida como movimentos invariantes e repetitivos, sem função aparente; Pedreiro, 1991; Jacobs e outros, 2021) e medidas positivas de bem-estar. Conforme observado por Miller e outros (2020), a ausência de marcadores negativos de bem-estar não indica, por si só, um bom bem-estar. Por esta razão, eles sugerem cinco marcadores de bem-estar enquadrados positivamente, ou “oportunidades para prosperar”:
(1) oportunidade para uma dieta bem balanceada e bem apresentada;
(2) oportunidade para automanutenção (incluindo abrigo e substratos específicos da espécie),
(3) oportunidade para saúde ideal (incluindo um ambiente de apoio que aumenta a probabilidade de boa saúde),
(4) oportunidade para expressar comportamento específico da espécie (incluindo espaços de qualidade e agrupamentos sociais apropriados) e
(5) oportunidade para escolha e controle para evitar sofrimento e angústia e para tornar o comportamento significativo (Vicino & Miller, 2015; Miller e outros, 2020).
O vínculo com cuidadores pode ser usado como justificativa para mantê-lo no zoológico?
Não. Sandro nunca foi submetido a situações que pudesse ter autonomia, ele é simplesmente forçado a ter um relacionamento com o tratador que estiver disponível. A equipe do zoológico nunca teve nenhuma experiência com elefantes em locais que propiciassem autonomia para os elefantes. Portanto, nem o Sandro e nem seus tratadores vivenciaram outra experiência que não a de cativeiro inadequado. Sandro é dependente dos seus tratadores e não possui escolha a não ser se relacionar com seus tratadores.
A relação entre tratador e elefante pode se tornar importante em ambientes estéreis porque o elefante não tem mais nada, não possui autonomia alguma sobre sua vida, seus desejos, vivendo em um ambiente rígido e empobrecido, a falta de elementos naturais para poder explorar, etc. Quando recebem membros da mesma espécie, espaço e autonomia, os elefantes dependem muito menos de seus cuidadores humanos e muito mais de outros elefantes.
Não é raro a mudança de tratadores de animais em zoológicos, basta verificar quanto tempo os tratadores atuais do Sandro trabalham cuidando dele, e quanto tempo os outros tratadores permaneceram no cargo.
Estabelecer vínculos é importante tanto para o tratador quanto para o elefante, no entanto, vínculos reais não se criam apenas alimentando o elefante ou limpando o recinto, é necessário um programa de treinamento diário, em local adequado que ofereça segurança para os treinadores e tratadores, para que essa relação de confiança seja criada.
No santuário de Elefantes Brasil, bem como em outros santuários de elefantes pelo mundo, dezenas elefantes puderem experimentar as 2 situações, e foi a unânime a preferência dos elefantes pela autonomia, viver com outros da mesma espécie, se alimentarem a qualquer momento do dia ou da noite.
Justificar a permanência do Sandro no zoológico devido aos vínculos (forçados) que ele possui com seus tratadores, é ser reducionista demais e transformar toda complexidade do comportamento desses animais e da ciência que estuda os elefantes em apenas opinião pessoal.
Elefantes em zoológicos são altamente gerenciados e requerem treinamento por tratadores para aceitar o manuseio para exames físicos, cuidados veterinários, manutenção da pele, exercícios direcionados e coleta de sangue . As implicações de bem-estar das interações de gerenciamento tratador-elefante já foram demonstradas para uma subpopulação de elefantes: Greco et al. (2016a) descobriram que um dos fatores de risco para maiores taxas de estereotipia em elefantes era menos tempo sendo gerenciados adequadamente por tratadores.
Sandro viveu por 40 anos sendo manejado de forma inadequada, por meio de reforço negativo, sem parede, baia ou brete de treinamento seguro. A falta de ambiente e ferramentas adequadas, bem como profissionais especializados em condicionamento operante por meio de reforço positivo, é um enorme obstáculo na construção de uma relação de confiança entre tratador e elefante , além de ser nocivo a saúde dos animais.
Sandro tem 53 anos. Qual a expectativa de vida para um elefante dessa espécie em cativeiro?
Uma das realidades mais trágicas é o impacto drástico que o cativeiro tem na longevidade de um elefante. Na natureza, os elefantes podem viver até 60-70 anos; em cativeiro, a expectativa de vida média cai pela metade.
transferência & logística
O transporte representa um risco real à vida do animal?
O SEB já realizou o transporte de 11 elefantes entre 2016 e 2025, sendo 5 indivíduos da Argentina, 1 do Chile e 5 no Brasil: Paraíba, Sergipe, Minas Gerais e Ribeirão Preto. Todos autorizados pela SEMA/MT, IBAMA/CITES, INDEA/MT, MAPA/MT, VIGIAGRO.
Todas as viagens foram bem-sucedidas, sem o uso de anestésicos ou contenções físicas e nunca houve nenhum tipo de intercorrência. Todas as transferências tiveram o apoio logístico da PRF – Polícia Rodoviária Federal, realizando a escolta do início ao fim das viagens para garantir toda a segurança necessária nas estradas.
Sandro possui um Plano de Transporte que deve ser considerado como uma visão geral do processo a ser realizado. Após décadas de experiência realizando transferências de elefantes em diferentes países, nossa equipe possui um plano de transporte a ser seguido, entretanto, nada impede que ajustes sejam realizados de modo a atender às individualidades de cada elefante. Os ajustes e adaptações poderão ser necessários para atender às necessidades de Sandro, assim como para garantir um alto grau de bem estar durante sua transferência. As prioridades para a equipe do SEB são a segurança, a saúde e o bem estar de Sandro, assim como a segurança de toda a equipe de transporte durante o trajeto.
Há risco de colapso psíquico com a transferência? Isso já ocorreu com outros elefantes idosos?
Desconhecemos qualquer caso onde essa situação tenha acontecido. Não há nenhum registro na literatura que aponte tal risco.
O Santuário dos Elefantes já transferiu outros elefantes com idade e peso semelhantes? Com que resultado?
A nível de comparação, abaixo seguem todas as transferências, as distâncias percorridas e idade dos elefantes na época em que foram transportados pela equipe técnica do SEB até o Santuário de Elefantes Brasil, no Mato Grosso:
Maia – 42 anos
ano: 2016
origem: Paraguaçu / MG
distância: 1.600km
Guida – 44 anos
ano: 2016
origem: Paraguaçu / MG
distância: 1.600km
Rana – 60 a 65 anos
ano: 2018
origem: Aracaju / SE
distância: 2.700km
Ramba – 60 a 65 anos
ano: 2019
origem: Rancagua / Chile
distância: 3.600km
Lady – 50 anos
ano: 2019
origem: João Pessoa / PB
distância: 3.200km
Bambi – 58 anos
ano: 2020
origem: Ribeirão Preto / SP
distância: 1.300km
Mara – 53 anos
ano: 2020
origem: Buenos Aires / Argentina
distância: 2.700km
Pocha – 55 anos
ano: 2022
origem: Mendoza / Argentina
distância: 3.600km
Guillermina – 24 anos
ano: 2022
origem: Mendoza / Argentina
distância: 3.600km
Pupy – 34 anos
ano: 2025
origem: Buenos Aires / Argentina
distância: 2.700km
Kenya – 44 anos
ano: 2025
origem: Mendoza / Argentina
distância: 3.600km
Foram percorridos mais de 30.000 km transportando elefantes pelo Brasil, sem nenhum tipo de intercorrência ou acidentes.
Quem pagaria pela transferência? É verdade que o SEB arcaria com todos os custos?
Desde 2020, quando o SEB comunicou a prefeitura de Sorocaba sobre o interesse em receber o Sandro, foi comunicado que o Santuário iria assumir toda e qualquer despesa com a transferência do elefante, para que o município não fosse onerado. O SEB arcaria com todos os custos logístico operacional. Durante os últimos 5 anos, o SEB foi taxativo sobre assumir os custos envolvendo a transferência do elefante Sandro, não sendo necessário iniciar qualquer processo licitatório para contratação de empresas pela prefeitura, nem procurar profissionais especializados em transporte de elefantes, pois a equipe mais experiente em transporte de elefantes é justamente o Santuário de Elefantes Brasil.
Quais órgãos devem autorizar e fiscalizar essa transferência interestadual?
No caso de transferências interestaduais, as OEMAS – Órgão Estadual de Meio Ambiente e as Superintendências do Ministério da Agricultura – MAPA dos Estados envolvidos no envio e no recebimento do animal.
ZOOLÓGICO DE SOROCABA – Documentos e órgãos envolvidos:
- Formalização de Doação do Elefante – documento simples emitido pela prefeitura de Sorocaba.
- Autorização de Transporte – Zoológico pede a transferência dentro do Sistema GEFAU junto ao DEFAU, na Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado São Paulo. Após emissão, a Autorização deverá ser entregue ao SEB, que só poderá transportar o Sandro mediante a este documento.
- GTA (Guia de Trânsito Animal) – Superintendência Federal de Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (SFA/SP) – Processo simples, emite-se em poucas horas na própria sede do órgão, em Sorocaba ou de forma digital. Deverá ser entregue ao SEB, que só poderá transportar o Sandro mediante a este documento.
- Atestado de Sanidade Animal: Emitido por veterinário responsável – Deverá ser entregue ao SEB.
SANTUÁRIO DE ELEFANTES BRASIL – Documentos e órgãos envolvidos:
- Autorização de Manejo – A.M: Autorização ativa (Vencimento em 14/11/2027) emitida pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Mato Grosso – SEMA/MT, autorizando recebimento da espécie no empreendimento. Toda documentação fornecida pelo zoológico será entregue a SEMA/MT para dar entrada do elefante ao plantel do SEB junto ao SISFAUNA / IBAMA.
- INDEA/MT – Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso – Fiscaliza a chegada de todos os elefantes ao SEB, toda a documentação fornecida pelo zoológico deverá ser entregue ao INDEA, que fará vistoria presencialmente para verificação de regularidade.
processo judicial
Desde quando o caso do Sandro está em discussão na Justiça? Quais foram as principais etapas do processo?
Desde 2020 o assunto está em discussão. As etapas foram as de um processo comum, petição inicial, contrarrazões, apresentação de provas, indeferimento na primeira instancia pelo juiz substituto, recurso do Ministério Público, depois de alguns anos parado, o processo volta à primeira instância para ser reavaliado, pois o tribunal de justiça concluiu que não havia provas para o indeferimento do pedido de transferência. O juiz titular, então, acolhe o pedido para transferência do elefante, baseado nas provas produzidas por peritos e na apresentação do plano de transporte do elefante até o Santuário de Elefantes. A prefeitura entrou com apelação, o MP e as ongs assistentes entraram com contrarrazões e estão no aguardo da manifestação do procurador de justiça e decisão dos desembargadores.
Quais foram os principais fundamentos da sentença que determinou a transferência de Sandro?
O principal fundamento foi a falta de estrutura do zoológico para manter Sandro, a situação de negligencia em que o animal se encontra e a expertise do santuário, que é referência no tratamento de elefantes.
Por que a Justiça suspendeu o prazo de 45 dias? Isso afeta o mérito da decisão? Quais os próximos passos?
O desembargador Paulo Ayrosa suspendeu o cumprimento da sentença porque concluiu que será muito caro para prefeitura arcar com o transporte em um prazo de apenas 45 dias. Argumentou que não daria tempo nem de fazer a licitação para selecionar quem fará o transporte, sendo que, na sentença está determinado que quem fara o transporte será o SEB. Os próximos passos são aguardar a decisão sobre a apelação
A prefeitura de Sorocaba está descumprindo a sentença? Haverá multa?
No momento não, porque a decisão está em suspenso. Mas ela descumpriu enquanto estava vigente, então tem multa.
O Ministério Público ainda acompanha o caso? Vai recorrer da suspensão do prazo?
O Ministério Público – MP de primeiro grau já não está mais no processo, porque já está na segunda instância. Mas ele recorreu da suspensão do prazo e foi indeferido.
As decisões judiciais foram baseadas em perícias ou resultaram de pressão da opinião pública?
Um juiz jamais dá uma decisão baseado apenas em opinião pública, ele julgou com base em laudos periciais e provas apresentadas pelas partes.
ZOOLÓGICO DE SOROCABA
O recinto atual do Sandro atende às normas do Ibama ou outras instâncias de fiscalização?
O atual recinto do Sandro é completamente ultrapassado e incompatível para elefantes de qualquer idade, principalmente para elefantes mais velhos como o Sandro.
O recinto não respeita nem as diminutas exigências mínimas da Instrução Normativa 07/2015 – IBAMA1,, que não possui base científica, muito menos segue as orientações dos manuais internacionais para gestão de elefantes em cativeiro, como os da AZA2, BIAZA3, EAZA4 GFAS5, inclusive já é amplamente reconhecido que recintos pequenos, inertes, sem possibilidade de socialização, autonomia básica, piso de concreto ou terra rígida são extremamente nocivos aos elefantes.
Existe plano orçamentário, cronograma e projeto executivo para reforma do recinto?
Em 2021, pouco tempo após a morte da elefanta Haisa, a prefeitura de Sorocaba se comprometeu em realizar uma grande reforma no recinto do elefante Sandro, porém nada foi feito até o momento. Na época foi apresentado um projeto com orçamento, porém o projeto continuaria muito aquém das necessidades básicas de um elefante. Em 2025, quando houveram ameaças de remoção do elefante pela justiça, a prefeitura decidiu resgatar o projeto (não executado) de 2021. Mesmo que o projeto seja executado, o zoológico ainda não será capaz de atender às necessidades mais básicas da espécie. A melhoria do recinto de Sandro feita pelo zoológico é um desperdício de dinheiro que pode parecer uma melhoria para humanos, mas não oferecerá nenhum benefício adicional à vida dele.
Embora os zoológicos ocidentais tenham se esforçado para resolver essas condições, incluindo a melhoria dos recintos com projetos de imersão paisagística de aparência mais natural, enriquecimento ambiental e, em alguns zoológicos, mais espaço e oportunidades sociais, eles ainda carecem de muitos aspectos fundamentais, especialmente para animais maiores, dos quais os elefantes são o exemplo por excelência (Hancocks, 2002).
Há previsão para a construção do brete? Por que ele não foi construído em 40 anos?
Segundo a prefeitura, o brete ficaria pronto até o inicio do segundo semestre. Mas não basta apenas ter um brete, é necessário ter um programa bem definido de condicionamento operante, que é um processo lento, diário, que pode levar meses ou até anos para que o elefante responda adequadamente aos comandos, para ganhar confiança do treinador, permitindo que que seu corpo seja tocado e tratado adequadamente.
O brete, assim como qualquer outra melhoria no recinto do Sandro sempre foi negligenciado por falta de experiência e real compreensão das necessidades do elefante, falta de comprometimento público, já que todo o recinto do Sandro é inadequado para um elefante. O brete, por si só, não irá fornecer grandes ganhos a sua saúde devido a ausência de diversos outros elementos.
Há quanto tempo Sandro vive no zoo de Sorocaba? Como ele chegou ao zoo?
Sandro chegou ao zoológico de Sorocaba em 1982, permutado por outros animais pelo circo Bismark, que visitava a cidade. Literalmente o circo trocou o Sandro, com 10 anos de idade, por outros animais do seu interesse. Diversos animais foram trocados ao longo de um ano, para quitar a permuta. Segundo o gestor do parque na época, Lázaro Puglia, em uma matéria jornalística, afirmou que os animais que seriam trocados pelo Sandro seriam “zebras, chimpanzés, camelos”.
O zoológico dispõe de espaço e recursos para adequar as instalações às necessidades do elefante?
Não podemos responder quanto a disponibilidade de recursos da prefeitura de Sorocaba, mas sabemos que espaço adequado inexiste no zoológico de Sorocaba para atender as necessidades básicas do Sandro.
Para se ter uma noção de espaço, a área das elefantas fêmeas asiáticas no Santuário de Elefantes Brasil é o dobro do tamanho do zoológico inteiro de Sorocaba. Elas ficam em 280.000 m² (28 ha) e o zoológico possui uma área de aproximadamente 150.000 m² (15 ha)
santuário de elefantes brasil (seb)
O espaço de 39.300 m² oferecido ao Sandro no SEB permite contato com outros elefantes?
Atualmente, a área total construída para o Sandro – machos asiáticos – é de 39.300 m², subdividida em 3 áreas distintas (conforme detalhado abaixo), porém Sandro está autorizado a utilizar apenas primeira área de 18.500m². Para que Sandro possa acessar as outras duas áreas, será necessário aguardar a análise do pedido de ampliação da Licença de Operação pela SEMA/MT, Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Após emissão da nova licença, Sandro poderá ter acesso aos 39.300 m².
Sandro viverá, inicialmente, sozinho nesse local, porém seu espaço é vizinho ao espaço das elefantas asiáticas, com as quais ele poderá ter contato por meio das cercas de proteção. As cercas dos habitats (recinto) permitirão que Sandro e as fêmeas asiáticas possam ter contato físico protegido, permitindo que se comuniquem, se toquem e interajam da forma que quiserem. O contato pela cerca permitirá uma aproximação segura, evitando qualquer possibilidade de reprodução.
A área em que o Sandro viverá será monitorada 24h por dia, sempre com a presença da equipe técnica. Sandro não ficará solto em uma floresta, desamparado. Ssandro será monitorado diariamente, passará por condicionamento operante por meio de reforço positivo. Além do Centro Veterinário que possui baias para treinamento, o perímetro do habitat do Sandro é todo adaptado para que sirva de parede de treinamento, facilitando todo o processo de cuidado onde quer que ele esteja, e sempre por contato protegido. Por meio desse treinamento é que Sandro ficará apto para passar por exames e avaliações clínicas para saber o seu real estado de saúde.
Habitat Machos Asiáticos – Sandro
- Área 1 – 18.500 m² – Autorizado para uso imediato
- Área 2 – 12.300 m² – Aguardando licença para uso
- Área 3 – 8.500 m² – Aguardando licença para uso.
Área total:
39.300 m² para machos asiáticos, adjacente a 280.000 m² de área para fêmeas asiáticas.
VERSUS
Área total do Sandro no Zoológico de Sorocaba:
1.000 m² a 1.500 m²
O SEB tem estrutura de contenção, brete e manejo médico contínuo?
O SEB possui Centros de Tratamento Veterinário exclusivos para elefantes em cada setor (machos asiáticos, fêmeas asiáticas e fêmeas africanas), para acomodar procedimentos de cuidados veterinários e acomodar elefantes recém chegados, além de oferecer aos elefantes abrigo para situações climáticas mais severas, se eles assim o desejarem, ou quando quiserem se sentir em maior segurança enquanto se ajustam ao seu novo mundo e à liberdade recém-descoberta.
Essas estruturas são simples na sua concepção e de baixo custo, mas oferecem tudo aquilo que necessário: paredes de tubos de aço para treinamento com contato protegido, baias restritas (corredores menores que restringem o movimento dos elefantes para cuidados médicos mais intensivos) e baias abertas que oferecem o seu espaço interior para o uso separado ou compartilhado.
Como e quando o SEB foi criado?
Em janeiro de 2010, a ElephantVoices iniciou seu trabalho no Brasil e identificou muitos elefantes cativos em situação bastante crítica – em circos, zoos e algumas propriedades rurais – e a falta de um local adequado para abrigá-los. Diversos estados proibiam o uso de animais em circos e havia um projeto de lei federal, o PL 7291/2006, visando à proibição do uso de animais em circos em todo o território nacional, aguardando aprovação (atualmente ainda aguarda votação). Os elefantes que vinham sendo confiscados dos circos pelas autoridades estavam sendo enviados aos únicos locais disponíveis: zoos (normalmente sem experiência com elefantes e com recintos inadequados para a espécie) ou propriedades rurais. Entendendo que a melhor alternativa para esse problema e para o futuro dos elefantes em cativeiro no Brasil e na América Latina seria a criação de um santuário natural para abrigá-los, a ElephantVoices começou a planejar, com sua equipe brasileira e especialistas internacionais, o projeto que viria a se tornar o Santuário de Elefantes Brasil. Com conhecimento e experiência sem paralelo com elefantes selvagens, a ElephantVoices juntou-se em 2012 a Scott Blais, cofundador do The Elephant Sanctuary in Tennessee, especialista em elefantes em cativeiro e na construção e gerenciamento de santuários naturais para elefantes, para a criação do Global Sanctuary for Elephants, organização cujo objetivo é fomentar e auxiliar o desenvolvimento de projetos de santuários para elefantes no mundo todo. Em 2014, foi fundada a Associação Santuário de Elefantes Brasil, projeto piloto do GSE, primeiro desse tipo na América Latina;
A Chapada dos Guimarães oferece condições satisfatórias de clima e vegetação para os elefantes?
Após análises cuidadosas, o Brasil foi escolhido para que o crescente número de elefantes desalojados na América do Sul devido à proibição de animais em apresentações, recebam cuidados detalhados e intensivos, assim como um habitat apropriado. Além do clima e topografia ideais encontrados na Chapada dos Guimarães, a região oferece também cursos d’água intocados e vegetação exuberante, ideais para elefantes africanos e asiáticos, um conjunto de fatores que permite que os elefantes fiquem soltos durante todo o ano, eliminando a necessidade da construção de galpões aquecidos para protegê-los no inverno.
É importante frisar que o Santuário não fica próximo ao parque nacional da Chapada dos Guimarães e sim numa propriedade, que havia sido explorada para pecuária extensiva por muitos anos, Atualmente o SEB ocupada com os elefantes apenas 35 ha de 1200ha, o restante da propriedade é conservada e utilizada para preservação da fauna e da flora local, bem como para reabilitação de animais nativos do cerrado, trabalho realizado em paralelo aos cuidados com os elefantes.
Em relação à flora e à biodiversidade, como é a área do SEB e qual é sua importência?
A flora e a biodiversidade são essenciais para manter uma dieta apropriada para um elefante. Os elefantes pastam por até 20 horas por dia, comendo mais de 68 kg de vegetação diariamente. A única maneira de atender a essa necessidade é ter uma variedade de capins, arbustos e árvores à sua disposição, e a área do SEB oferece tudo isso.
E em relação à corpos de água e a topografia? Como é a área do SEB?
Os corpos de água são indispensáveis, além da necessidade de água potável. Qualquer pessoa que tenha visto um elefante tomar banho sabe que isso é algo que eles gostam muito. Água que venha de múltiplas fontes, em locais diferentes, encoraja uma exploração contínua e tem um papel importante na autonomia necessária para que os elefantes se recuperem.
A topografia é outra consideração muito importante. Um terreno variado promove vegetação diversa, além de promover exercícios. Os elefantes são incrivelmente adeptos a escalar morros, ajudando o desenvolvimento da força e equilíbrio, auxiliando na reversão de doenças das articulações que se desenvolvem após décadas com pouquíssimo exercício e o fato de ficar em pé em superfícies artificialmente duras.
Como fica a questão da sustentabilidade? O SEB tem impacto negativo na flora local?
A sustentabilidade é uma questão chave ao desenvolver um santuário para elefantes. Isso significa analisar parâmetros que vão além das necessidades dos elefantes. É preciso levar em consideração a preservação do ambiente, o impacto, se houver, sobre plantas e animais nativos, a qualidade do solo, a sustentabilidade da floresta e do pasto, assim como a proximidade de cuidado veterinário e comércio para fornecimento dos suprimentos necessários. Tudo isso foi considerado na implementação do SEB.
Qual o método utilizado pelo SEB para treinamento e manejo dos elefantes?
O método de reforço positivo será usado para todos os treinamentos que precisam acontecer. Devido ao impacto físico do cativeiro, os elefantes precisam ser examinados frequentemente: check ups, exames de sangue e tratamento das patas são parte do cuidado necessário. A maioria dos elefantes da América do Sul nunca teve um treinamento que não tenha sido baseado em dominância, portanto esse será um conceito novo para muitos deles. Ao invés de serem punidos quando não cumprirem uma ordem, eles serão recompensados quando fizerem algo que for pedido.
Como são feitos os exames e diagnósticos no SEB?
Os elefantes no SEB passam por diagnósticos regulares, usando máquinas e equipamentos internos, incluindo equipamentos de exames de sangue, imagens térmicas e nosso equipamento radiográfico interno para avaliar a saúde das patas. Os resultados laboratoriais usam parâmetros criados por vários estudos e coletados pela Dra. Susan Mikota, veterinária de elefantes de renome mundial e autora de “Biologia, Medicina e Cirurgia de Elefantes”, que também é colega pessoal do Presidente e
Diretores do SEB, tendo inclusive auxiliado na criação dos Requisitos Sanitários de importação do Brasil e está disponível para nossa organização para consulta a qualquer momento.
O SEB oferece um ambiente onde o elefante mais traumatizado, agressivo ou inseguro possa prosperar. Essa é uma das razões pela qual o Santuário não está aberto ao público. É um lugar onde esses animais possam se sentir seguros, fundamental para que se curem emocionalmente e criem relacionamentos de confiança e de longo prazo com aqueles que os rodeiam.
Além da presença constante de dois dos diretores do SEB no Santuário, para garantir o conforto dos elefantes com procedimentos médicos, há uma veterinária em tempo integral que também trabalha como cuidadora. É difícil para os elefantes se sentirem à vontade quando alguém está apenas perto deles durante experiências negativas. Ter o contato diário com seu veterinário promove o desenvolvimento de uma relação de confiança, e como consequência faz com que os elefantes se sentam mais confortáveis quando precisam de cuidados médicos.
A equipe também aplica abordagem holística à saúde e ao bem-estar dos elefantes. Por definição, isso significa que os aspectos físicos, mentais, sociais e emocionais da vida de um ser são vistos como um todo integrado.
Como funciona o SEB na aplicação de protocolos veterinários aos elefantes?
No SEB, frequentemente precisamos introduzir elefantes ao treinamento de contato protegido e reforço positivo, já que a maioria chega sem nenhum cuidado oferecido dessa maneira. É um processo lento, primeiro tendo que trabalhar com um elefante para ajudá-los a entender o conceito e nos ajustar ao nível de confiança de cada indivíduo, respeitando também seu tempo para iniciar novos relacionamentos e explorar seu novo lar. Uma vez compreendido o conceito, a maioria dos elefantes avança rapidamente em seu aprendizado e aprende a apresentar várias partes do corpo. Os cuidadores constroem confiança durante esse processo, permitindo que os elefantes entendam que têm uma escolha em sua participação e que estamos ouvindo tudo o que eles tentam comunicar. O processo se desenvolve a partir da simples apresentação de partes do corpo, para nos permitir tocá-las, para estender o tempo e trabalhar em um posicionamento mais sutil. Com isso como base, iniciamos os cuidados básicos com as patas e aparas, exames corporais com toques em todo o corpo, tratando quaisquer feridas e problemas antigos com os quais eles possam ter chegado e trabalhando no treinamento para coleta de sangue. Cada elefante é diferente, então seu treinamento é ajustado a eles. Tudo isso permite o monitoramento anual da coleta de sangue ou com mais frequência para qualquer elefante que apresente valores fora da faixa normal, exames físicos, cuidados com os pés, monitoramento da pontuação corporal, pontuação da dor, pontuação dos pés e bem-estar emocional.
Os exames realizados no SEB indicaram risco de tuberculose?
O Santuário de Elefantes Brasil, recentemente, passou por testes para tuberculose no ambiente dos elefantes. Foram testados solo, água e feno e todos deram negativo para tuberculose. As análises foram realizadas pela UFMT – Universidade Federal do Mato Grosso.
Em comparação com a situação atual no zoo, quais seriam as principais vantagens do espaço do SEB para o Sandro?
Amplos espaços abertos que permitem aos elefantes se perderem dentro de seu próprio mundo de exploração intuitiva.
Um ambiente emocionalmente estimulante que encoraja os elefantes a comunicar seus medos e desejos livres de expectativa.
Estímulo mental e físico, estimulando-os a pensar, se movimentar e se comportar como o iriam fazer no seu habitat natural.
A companhia de uma manada – permitindo aos elefantes um apoio incomparável e a consciência de que não estão mais sozinhos mesmo que apenas por meio de comunicação à distância.
O SEB já recebeu outros elefantes com quadros médicos complexos? Qual é o histórico clínico deles?
Os elefantes com os quadros médicos mais complexos:
GUIDA
Resgate: 11 de outubro de 2016
Falecimento: 25 de junho de 2019
Idade aproximada: 44 anos
Estava com mais de 700 kg abaixo do peso e estereotipada de comportamento em 95% do tempo, só parando para dormir. Não houve exames médicos antes de sua chegada, mas suspeitava-se de problemas gastrointestinais devido à sua postura.
BAMBI
Resgate: 26 de setembro de 2020
Idade aproximada: 60 anos
Também estava com cerca de 800 kg abaixo do peso, com camadas de pele morta cobrindo grande parte do corpo. Havia preocupações com problemas renais, mas seus exames de sangue estavam normais. Seus pés estavam significativamente crescidos. Ela chegou com visão limitada no olho esquerdo, com catarata descolada, e desenvolveu uma no olho direito desde sua chegada. Ela precisou ser treinada para cuidados com os pés, coleta de sangue e tratamento da catarata, incluindo exames oftalmológicos complexos e colírios diários.
LADY
Resgate: 29 de setembro de 2019
Falecimento: 15 de maio de 2024
Idade aproximada: 52 anos
Dos mais variados elefantes em cativeiro que conhecemos, a condição das patas dela era uma das piores. Lady sofreu por anos de doença debilitante nas patas, as quais necessitavam de cuidados imediatos e intensos. O cativeiro teve um alto custo sobre seu corpo e mente. Lady foi um elefante de circo por mais de 40 anos, e seu corpo e espírito mal se assemelham aos indivíduos de vida livre. Suas patas apresentavam condições muito graves, algo que nunca seria visto na natureza. Emocionalmente, ela tinha uma desconfiança profundamente arraigada em humanos e elefantes, o que mostra como seu passado deve ter sido. Sua saúde estava comprometida devido à falta de cuidado com suas patas, e essa condição das patas estava tão séria que ela precisava de cuidados profundos para o resto de sua vida; foi constatado que Lady sofria de osteomielite, diagnosticado por radiografia. Osteomielite é uma doença incurável, que causa muitas dores.
RAMBA
Resgate: 18 de outubro de 2019
Falecimento: 26 de dezembro de 2019
Idade aproximada: 60/65 anos
Ramba era uma elefanta teimosa, linda e imponente. Infelizmente, não teve forças para lutar contra seus problemas renais. Quando a Ramba foi diagnosticada com doença renal 7 anos antes, dois especialistas em elefantes de renome mundial deram a ela não mais do que um ano de vida, comparando seus valores sanguíneos e condições com os de outros elefantes em cativeiro que sofriam da mesma doença. Um ano milagrosamente se transformou em sete, e sua força permitiu que ela viesse para o santuário
Em 1997, ela foi confiscada do circo “Los Tachuelas” no Chile devido a problemas relacionados com abuso e negligência. Apesar de ter sido oficialmente “confiscada”, a Ramba continuou no circo, mas não podia se apresentar. Anos mais tarde, a ONG Ecopolis conseguiu permissão e fizeram planos para realocá-la para um zoo de beira de estrada que serviria como um lar temporário. Elefantes são uma grande responsabilidade e um elefante geriátrico com vários problemas de saúde pré-existentes é bastante trabalhoso. Global Sanctuary for Elephants (GSE) assumiu o problema, ajudando com seu cuidado direto, treinando tratadores, doando fundos para suplementos, pagando os salários dos tratadores e oferecendo a ela o lar que ela precisava para viver o resto de sua vida com outros elefantes, vagando através de pastos e florestas, curtindo uma vida de aposentadoria.
A causa da sua morte foi determinada como insuficiência renal crônica, o que não foi uma surpresa para nós. Os rins da Ramba lutaram durante anos para cumprir sua função, filtrando seu sangue. Eles ficaram cada vez menos eficientes e mais resíduos se acumularam. Se ela fosse humana, estaria fazendo diálise enquanto esperava um transplante. Essa não é uma opção na medicina para elefantes.
A Ramba foi diagnosticada com comprometimento renal crônico logo depois de ter sido removida do circo e levada para o Safari Park no Chile, sete anos atrás. Sua primeira amostra de sangue mostrou que os problemas não eram recentes e já eram crônicos. Como com muitos outros elefantes, apesar de saírem fisicamente da sua instalação originária, o efeito que uma vida inteira nesses locais tem sobre eles continua.
Como o SEB é financiado?
A através de doações privadas do público, de fundações e corporações. Não recebemos financiamento governamental. A maior parte dos recursos são de doações de pessoas físicas, que apoiam o trabalho dos santuários e entendem a necessidade de melhores soluções em cativeiro para elefantes.
Quantos elefantes vivem no santuário atualmente? Que órgãos públicos fiscalizam o espaço e a condição de saúde dos animais?
Atualmente vivem 7 elefantas no Santuário.
– 5 fêmeas asiáticas em uma área de 280 mil m²
– 2 fêmeas africanas em outra área de 60 mil m²
O SEB é licenciado e fiscalizado pela SEMA/MT, IBAMA, Ministério da Agricultura e INDEA.
Existem outros espaços no país que poderiam abrigar Sandro de forma adequada?
Infelizmente não há locais adequados para elefantes em toda a américa latina. O único local especializado exclusivamente em elefantes é o SEB.
NÃO RESTA DÚVIDA, O MELHOR PARA O SANDRO É IR PARA O SANTUÁRIO JÁ!



